Cowboy Junkies é uma banda de rock alternativo, tem origem
no Canadá é formada por três irmãos da família Timmins, e pelo baixista Alan
Anton, que é de outra família J. Conheci por acaso, em uma comunidade sobre rock no
antigo e esquecido Orkut. Foi uma grata surpresa.
The Trinity Session (1988) foi gravado em uma única sessão,
com apenas um microfone, na igreja da Santíssima Trindade (Holy Trinity Church)
em Toronto. E traz uma mistura de
composições próprias e versões de antigos sucessos americanos, tais como Sweet
Jane, do The Velvet Underground e I’m so lonesome I could cry, de Hank Williams.
Impossível
ouvir as músicas e não se sentir embalado pela voz aveludada da vocalista Margo
Timmins. Além de uma voz especial, o uso certeiro do bandolim, rabeca, guitarra
slide, gaita e acordeão completam a qualidade do trabalho. Não bastasse
tudo isso, fizeram uma nova versão de Blue moon, mudando a letra e mantendo o
refrão do Elvis.
A
impressão é de um produto bem polido, suave do início ao fim, sem nenhuma aresta
que possa arranhar os ouvidos.
É um
som pra ouvir a dois, preferencialmente à luz de velas.
The Trinity Session:
01. Mining For Gold 02. Misguided Angel 03. Blue Moon Revisited (Song For Elvis) 04. I Don't Get It 05. I'm So Lonesome I Could Cry 06. To Love Is To Bury 07. 200 More Miles 08. Dreaming My Dreams With You 09. Working on a Building 10. Sweet Jane 11. Postcard Blues 12. Walking After Midnight
Aproveitando o pique, vamos com mais uma obra! Dessa vez um pouco mais recente ( 20 anos atrás!), da série MTV Unplugged, conhecido como Acústico MTV no Brasil.
O personagem central desta vez é ninguém menos que Eric Clapton, o Slowhand, agraciado com três indicações ao Rock'n'Roll Hall of Fame, no ano de 1992 por sua obra junto ao The Yardbirds, em 1993 com o Cream e finalmente nos anos 2000 por sua carreira solo. Também eleito o quarto melhor guitarrista de todos os tempos da Revista Rolling Stone.
Tem como influência grandes nomes do blues norte americano, sendo eles Freddie King, B.B. King, Albert King, Buddy Guy e principalmente Robert Johnson (aquele que inaugurou a maldição dos 27 anos, e dizem ter vendido a alma ao diabo para aprender a tocar violão).
Sobre o álbum, temos muito o que falar!
Clapton recebeu 6 Grammy com o álbum, 3 com a canção Tears In Heaven, composta em decorrência da morte de seu filho Conor em agosto de 1991. Podemos sentir a tristeza do guitarrista ao executar a canção. Forma maravilhosa de homenagem a um ente que se foi!
Além desta, temos como destaque a versão acústica de Layla, que relata um dos casos de triangulo amoroso mais marcantes da história do rock, envolvendo Clapton, Pattie Boyd e George Harrison! Dessa época surgiram clássicos como Something (composta por George na época dos Beatles) e a própria Layla, que dizem ser o codinome que Eric deu a Pattie. Essa história toda vai ser relatada em um post futuro!
O álbum foi elencado em 9º lugar entre os 100 melhores álbuns britânicos de todos os tempos, ficando entre Number of the Beast, do Iron Maiden e Core do Stone Temple Pilots. Outra curiosidade é que um dos violões utilizado por Clapton durante a apresentação um Martin, modelo 000-42 (o que aparece na capa) foi vendido em um leilão pela bagatela de $791,500 dólares!
Faixas:
01 - Signe 02 - Before You Accuse Me 03 - Hey Hey 04 - Tears in Heaven 05 - Lonely Stranger 06 - Nobode Knows You When You're Down 07 - Layla 08 - Running on Faith 09 - Walking Blues 10 - Alberta 11 - San Francisco Bay Blues 12 - Malted Milk 13 - Old Love 14 - Rollin' and Tumblin'
Fiquem com a bela versão de Tears in Heaven:
Outro comentário importante: há a versão desse álbum em DVD que vale muito a pena, muito bacana ver Clapton "brincando" com seu instrumento! Inspirador! Uma experiência de blues em sua origem, sem guitarras, "só" o poder vocal e o do violão e claro muito sentimento!
Depois de um tempo sem postar, vamos trabalhar um pouco né?
O álbum de hoje pode ser considerado um marco na Música Popular Brasileira! Nos idos anos de 1966 era lançado Os Afro-sambas, uma parceria entre o violonista Baden Powell (1937 - 2000) e o multi facetado - diplomata, poeta, dramaturgo, jornalista, e compositor - Vinicius de Moraes (1913-1980).
O diálogo entre o erudito e popular se faz presente nessa obra, com marcações rítmicas vindas dos terreiros do Candomblé e das rodas de capoeira baianas e a erudição musical e poética apresentadas por Baden e Vinícius.
Como dito pelo próprio Vinícius na contra-capa do disco: "Essas antenas que Baden tem ligadas para a Bahia e, em última instância para a África, permitiram-lhe realizar um novo sincretismo: carioquizar dentro do espírito do samba moderno, o candomblé afro brasileiro dando-lhe ao mesmo tempo uma dimensão mais universal (...) nunca os temas negros de candomblé tinham sido tratados com tanta beleza, profundidade e riqueza rítmica (...) é esta sem dúvida a nova música brasileira e a última resposta que da o Brasil, esmagadora à mediocridade musical em que se atola o mundo. E não digo na vaidade de ser letrista dos mesmos; digo-o em consideração a sua extraordinária qualidade artística, à misteriosa trama que os envolve: um tal encantamento em alguns que não há como sucumbir à sua sedução, partir em direção ao seu patético apelo" (Grifo de Luiz Américo Lisboa Junior, historiador e pesquisador da história da MPB)
Contra-capa com prefácio de Vinicius de Moraes
É interessante perceber como o poetinha já dizia da "esmagadora mediocridade musical" em temos remotos... pobres de seus ouvidos se estivesse ouvindo cada coisa que chamam de música hoje em dia...
Faixas:
01 - Canto de Ossanha 02 - Canto de Xangô 03 - Bocoché 04 - Canto de Iemanjá 05 - Tempo de Amor 06 - Canto de Pedra Preta 07 - Tristeza e Solidão 08 - Lamento de Exu
Considero Canto de Ossanha uma das canções que mais se destacam no álbum, segue versão apresentadapor Vinícius, Tom Jobim, Toquinho e Miuxa:
Se por ventura você tiver essa obra em vinil guardada em casa, pode se considerar uma pessoa de sorte! Podemos encontrá-la sendo vendida por valores próximos a R$250! Essa obra certamente se inclui naquelas que devemos ouvir antes de morrer!